Como escolhi qual carreira seguir e como você deveria escolher a sua


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Este artigo é como se fosse uma carta que eu pudesse enviar para mim mesmo de dez anos atrás — ou para qualquer leitor que esteja tão perdido quanto eu estava quando saí do ensino médio, feliz por ter sido aprovado em um vestibular de Administração de Empresas, porém desistindo ao receber uma proposta para ir morar em São Paulo com meu pai e cursar Análise e Desenvolvimento de Sistemas.

Para contextualizar: desde que me entendo por gente, sempre tive meu próprio computador. Acho que meu maior passatempo, além da música, era conhecer programas novos e descobrir como fazê-los rodar na minha máquina; ou buscar possibilidades de personalização no sistema operacional. Porém, na minha mais completa ignorância, eu achava que o único dinheiro que isso poderia me trazer era formatar computadores da região.

O que eu realmente queria, mesmo quando mais jovem, era ter minha própria agência de publicidade. Sempre tive um lado empreendedor muito forte e sempre acreditei no livre comércio entre as pessoas. O marketing era o que mais me chamava atenção. Foi por isso que, ao sair do ensino médio, fui direto me inscrever em um vestibular de Administração de Empresas.

Quando contei para o meu pai sobre o vestibular, ele me fez uma proposta: me mudar para São Paulo e cursar Análise e Desenvolvimento de Sistemas, pois ele conseguiria me colocar em um estágio de suporte técnico na empresa em que trabalhava como gerente de projetos. Com a proposta praticamente garantida, eu aceitei.

A primeira impressão é a que mais marca

Eu já havia trabalhado em outros lugares: uma vez como ajudante geral em uma ótica, onde fazia de tudo (desde limpar o chão até colocar grau nas lentes), e outra como estagiário de marketing em uma agência de viagens. Mas nada se comparava a ser estagiário na Secretaria da Fazenda de São Paulo. O prédio era enorme, a maioria das pessoas usava terno e havia um grande ar de seriedade no ambiente. Já a equipe era bem descontraída, passava aquele clima de “somos uma família”: todos pareciam unidos, saíam para almoçar juntos e se divertiam.

Fiquei três meses como estagiário até que me desafiaram a tirar uma certificação em uma semana, com a promessa de que, se conseguisse, eu seria efetivado. Após uma semana de muito esforço, consegui a certificação. Assim, fui efetivado como júnior.

Eu gostava bastante do que fazia: trocava peças de computador, instalava programas, formatava máquinas. Porém, queria avançar na área. Fiquei sabendo de uma vaga em um setor superior e decidi me esforçar para conquistá-la. Para isso, eu precisaria tirar outra certificação específica. Procurei alguém da minha equipe para me orientar — e esse foi o meu maior erro.

O líder da equipe, na época, se dispôs a me ajudar nos estudos. Porém, logo após essa “ajuda”, começaram a surgir chamados com tempo de ação quase estourado direcionados a mim, o que fazia com que os prazos estourassem justamente na minha mão, mesmo eu sendo recém-efetivado. Além disso, recebi uma quantidade desproporcional de chamados para atender. Com vários chamados fora do prazo, não durei nem um mês na empresa e fui demitido.

E, para ser sincero, foi até humilhante. Eu simplesmente cheguei, fui direcionado à mesa da gestora e, de lá, encaminhado diretamente para a porta. Não houve aviso, nem qualquer indício de que isso aconteceria. A cereja do bolo foi ir assinar a decisão e descobrir que quem havia “se disposto” a me ajudar tinha ficado com a vaga que eu queria.

A grande depressão

Depois dessa primeira experiência, entrei em uma profunda depressão e revolta. Eu dividia uma casa com um amigo em São Paulo e precisava pagar aluguel. Além disso, estava tomado pela sensação de ter sido traído e de ver minha vida mudar de uma hora para outra. Isso fez com que eu canalizasse um ódio pela área de TI em geral. Nessa época, cheguei a desistir da faculdade.

Decidi virar a página e, de cabeça erguida, fui para onde diziam que todos conseguiam emprego: o telemarketing. Entrei para trabalhar em uma empresa no centro de São Paulo que, além de internet de fibra óptica, oferecia equipamentos de TI para empresas. A experiência até foi boa; vendi uma coisa ou outra. Porém, no final do mês, percebi que o valor recebido não pagava nem metade do aluguel. Foi então que cometi o maior crime que um homem adulto pode cometer… voltei a morar com minha mãe.

Aos poucos, fui me reerguendo. Eu havia gostado de trabalhar com telemarketing, mas precisei pedir as contas para voltar ao interior e morar com minha mãe. Lá, até existia essa mesma empresa de telemarketing, mas, para trabalhar nela novamente, era necessário esperar seis meses após o desligamento. Para não ficar parado, fui para um lugar onde nunca faltam oportunidades para jovens: a lanchonete do palhaço.

A grande reviravolta

Assim que os seis longos meses se passaram, me candidatei novamente à empresa de telemarketing e fui aprovado. Tudo parecia estar indo conforme o planejado. O que eu não sabia era que, na catraca da empresa, encontraria a mulher que hoje chamo de esposa.

Outra grande reviravolta foi que, nesse período, recebi uma nova proposta para estagiar em suporte técnico — porém, mais uma vez, em São Paulo. Só que, dessa vez, eu não dividia mais uma casa com um amigo, mas sim com minha noiva. Aceitei a proposta.

Tudo aconteceu de forma muito inesperada. Eu morava de segunda a sexta-feira em São Paulo com meu pai para trabalhar e voltava nos finais de semana para ficar com minha noiva, até descobrir que seria pai. Eu não estava completamente presente no trabalho, pois minha mente estava no interior, com minha esposa grávida. Isso acabou fazendo com que eu perdesse mais um estágio. Mas, dessa vez, não me importei: queria apenas ficar com minha esposa.

Voltei a trabalhar instalando internet e TV a cabo, subindo em postes e telhados. Não vou negar: o serviço era pesado. A situação piorou quando desenvolvi labirintite, o que me causava tonturas constantes. Como o trabalho envolvia subir escadas e alturas, decidi sair.

Outra situação lamentável foi quando comecei a trabalhar em um quiosque de conserto de celulares e fui demitido no primeiro dia por passar uma capinha de oitenta reais como se fosse de oitenta centavos, simplesmente por não saber operar a maquininha.

O plano que mudou minha vida

Eu não podia mais perder tempo. Minha filha estava prestes a nascer, e eu ainda não sabia o que seria da minha vida. Um dia, conversando com meu primo, ele me disse que eu deveria seguir a área de programação de software. Na mesma hora, minha esposa concordou.

Eu sentia uma forte repulsa só de pensar em voltar para a TI, muito por conta da minha primeira experiência. Ainda assim, minha esposa se propôs a bancar nossas contas e me matricular em uma faculdade enquanto eu estudava programação por conta própria e buscava um estágio. E, como sabíamos que o lugar para isso seria São Paulo, dessa vez ela iria comigo.

Dito e feito: logo consegui um estágio em suporte técnico. Porém, dessa vez, eu não era mais aquele garoto recém-saído do ensino médio, mas sim um pai de família, com muita coisa a perder. Entrei focado, e isso foi percebido. Em três meses, eu já estava corrigindo pequenos erros em páginas HTML. Foi assim que encontrei o meu lugar.

Crescimento da maneira correta

Minha rotina de estudos era intensa. Quando não estava estagiando, estava estudando — e, muitas vezes, estudando durante o estágio. Cheguei a um nível em que passei a ter pesadelos com a tela do editor de código. Mas tudo isso teve um propósito. Após oito meses de estágio, recebi minha primeira proposta para atuar como programador. Com apenas um ano de programação, recebi minha primeira proposta para sênior.

Hoje, além de trabalhar para grandes empresas, sou convidado a desenvolver projetos por conta própria, tanto no Brasil quanto no exterior. Estou há quase dez anos atuando como programador e, até hoje, acho incrível receber dinheiro e reconhecimento por algo que me dá prazer em fazer. Mas por que, dessa vez, deu tão certo?

Acredito que tenha sido um conjunto de fatores. Na minha primeira experiência, aprendi talvez a lição mais difícil de todas: o mercado de trabalho é cruel. Antes de entender isso, eu não ia para um trabalho; eu ia para uma segunda casa, acreditando que era valorizado como pessoa, e não apenas como técnico. Além disso, eu não tinha uma motivação realmente forte. Afinal, a qualquer momento, eu poderia voltar a ser sustentado, como já havia sido. Como pai, a realidade é outra: sou eu quem sustenta, e não posso me dar ao luxo de cometer erros sociais.

Mas, acima de tudo, o mais importante foi ter entrado em algo que realmente descobri que gosto de fazer. Eu não apenas troco um periférico ou formato um computador: eu realizo sonhos. Desenvolvo projetos e aplicativos que muitas vezes foram idealizados por muitas pessoas e utilizados por milhões de usuários. Já atuei com publicidade, marketing, internet, setor bancário e saúde, e sei o impacto que minhas ações causam na vida de outras pessoas como programador. Eu adoro isso.

Por isso, se você está em dúvida sobre o que quer fazer da vida ou se sente perdido na sua carreira, saiba que o mundo é inesperado e que todas as situações pelas quais você passa serão úteis no futuro. Tente descobrir algo que você gosta de fazer, descubra como ganhar dinheiro com isso e como isso pode ser útil para os outros. E, por fim, tenha sempre uma motivação forte, pois é daí que vem a verdadeira resiliência.

Envie este artigo para alguém que você veja que está perdido. E, caso precise de algum sistema, aplicativo ou site, fique à vontade para me chamar.
Até o próximo artigo.

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